A lenda do Santo Graal nasce com
a primitiva tradição oral sobre a taça que Jesus Cristo utilizou na Última Ceia
e que o próprio Jesus santificou. Talvez a mesma taça que José de Arimateia
utilizou para recolher o sangue de Cristo no transe da cruz.
Seja qual for a verdadeira história
do ocorrido, o que é certo é que a lenda do Santo Graal – taça mágica e
milagrosa a que se atribuem poderes extraordinários – existe. Esta crença
transcendeu a história e a sua existência está ligada aos lugares onde esteve o
Santo Cálice.
O GRAAL DOS CÁTAROS.
É no castelo de Montsegur que se
inicia a rota do Santo Graal, que desapareceu em 1244, na sequência do ataque
do implacável inquisidor Simó de Montfort (sob as ordens do papa Gregório IX)
contra os cátaros. Segundo a tradição, os religiosos, heterodoxos do cristianismo,
possuíam o Tesouro Cátaro (um tesouro espiritual e um tesouro material), o qual
desapareceu na noite do assalto ao Castelo de Montsegur, no Languedoc, no Sul
da França, a 16 de Março de 1244.
O Tesouro, a que chamavam fraciata, era constituído pela Bíblia
cátara, utilizada pelos bons homs (homens
bons) nos seus sermões; por sacos de moedas de ouro e pelo Santo Graal. O
Tesouro desapareceu todo naquela noite em que foram massacrados 215 cátaros no
Camp dels Cremats. Na realidade, foi escondido pelos prefeitos cátaros Mateu e
Pere Bonet nas grutas dos arredores. Mais tarde atravessaram os Pirenéus,
refugiando-se na localidade de Castellbó d’Urgell, no Reino Catalano-Aragonês.
O GRAAL ESCONDIDO.
Algum tempo depois, em finais do
século XIII, o Santo Graal apareceu na gruta natural feita pelas águas em San
Juan de la Peña, perto de Jaca, em terras de Aragão, onde permaneceu escondido
e venerado durante muito tempo, como objecto de símbolo esotérico, pelos monges
anacoretas que viviam no mosteiro subterrâneo.
O Graal foi trasladado para o
Mosteiro de Montserrat, onde se escondeu da vista de todo o mundo entre as
múltiplas grutas e covas da insólita montanha catalã. Significativamente, estes
dois mosteiros foram destruídos em 1809, por ordem de Napoleão Bonaparte, na
procura do Graal. As tropas francesas, comandadas pelo marechal Jusset,
arrasaram ambos os locais, sem conseguirem o seu objectivo.
O GRAAL VIGIADO PELO REI.
Em 1399, o Santo Graal foi
conduzido para a cidade de Saragoça, capital do reino de Aragão, e foi entregue
ao monarca Martí, l’Humá (o Humano),
rei de Aragão e de Catalunha e conde de Barcelona, que o depositou no Palácio
da Ajaferia de Saragoça.
Quando a situação se agravou, o
Graal foi trasladado, por razões de segurança, para a cidade de Barcelona,
capital dos condados da Catalunha, e em 31 de Maio de 1410, dia da morte do rei
Martí, o Graal encontrava-se na Capela de Santa Águeda, em Barcelona, onde
permaneceu, fortemente guardado, até ao século XV.
O GRAAL, VIAJANTE INCANSÁVEL.
Após muitas vicissitudes, em 1424
o rei Alfons V, o Magnânimo, mandou
trasladar o Graal para o Palácio Real de Valência, capital do reino homónimo, e
daqui passou, a 16 de Março de 1437, para a própria catedral da cidade do
Túria. Contudo, forças infiéis queriam apoderar-se deste tesouro espiritual, e
teve de ser de novo escondido. Desta vez, após uma breve permanência na cidade
de Alicante, navegou até às Baleares. Primeiro, esteve escondido na ilha de
Eivissa e, no ano de 1812, apareceu na cidade de Palma, na ilha de Maiorca.
Depois de o perigo desaparecer, o
Graal voltou para Valência, em Setembro de 1813.Foi colocado na Capela das
Relíquias, na própria Catedral de Valência, onde ficou até 1916, data em que,
devido à sua importância espiritual, lhe foi construído um recinto próprio e
colocado na Capella del Sant Calze (Capela do Santo Cálice). No entanto, com a Guerra
Civil de Espanha em 1936, o Santo Graal desapareceu, em deixar rasto, durante
os quase três anos que durou a guerra civil. Em 1939 foi restituído à sua
capela na Catedral de Valência, onde hoje ainda se encontra.
MISTÉRIOS DO GRAAL.
Este cálice, que teve de fugir
tantas vezes aos seus perseguidores, será realmente o verdadeiro Graal que
fazia parte do Tesouro Cátaro? Se não fosse o autêntico, não seria lógico que o
próprio Napoleão tivesse tentado apoderar-se dele, assim como outros povos em
diferentes épocas. Qual é o valor real do Santo Graal?
O seu maior valor é espiritual,
embora também artístico e material. Fisicamente, o Graal tem um inegável valor,
dado que está confeccionado com ourivesaria bizantina. É uma taça feita de uma
pedra preciosa chamada ágata, tem forma ovóide e possui uma inscrição árabe na
zona onde falta uma pérola preciosa. Essa pérola, segundo a tradição, foi
entregue à própria rainha do Sabá, que, por sua vez, a ofereceu ao rei Salomão.
Por que razão quiseram apoderar-se dele tantas vezes ao longo dos séculos? Que
mistério encerra o Graal?